terça-feira, 6 de outubro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Eis o abismo.
Eis o abismo. A obsessão
A obstinação patética de que algum Deus os espera.
O paroxismo no mais extremo de si.
Eis o risível e o exaurível coaxando. As mãos dadas cavando um buraco no peito.
O vazio exposto a obsessão E o absolutamente nada, ainda assim as taças erguendo-se.
Eis a excrementação fermente, viscosa, epidérmica;
O futuro é uma longa noite nas cabeças.
A noite crescendo nas cabeças como se fora cabelos
Eis a roda embriagada, o círculo activo, o rodopio crescente.
As mentes extraem-se antes da maturação
A optimização do ser e a mutilação do ser
Eis o zénite revertido. Há uma obsessão pelo reverso. Pelos crânios abertos expostos.
É óbvio o caminho da acefalia á manada.
Eis a nova linguagem, cosmetizada, centrifugante e o abismo por baixo
Há um projecto nesta viagem
Os dias rebolando como se as folhas sacudidas e inúteis
É cruel este Outono evolutivo
Como ter a certeza que se existe quando
É outra a história que se conta
Eis os répteis maquilhados ziquezando por entre a inércia que deriva das carreiras.
Os seus olhos vigiam preventivamente
Eis a subtileza triunfante
A manada volta aos carreiros circulares
Estes dias são tão alegres
A besta de moinho foi a grande invenção
Eis a malha unívoca, redutível.
Erguendo-se na perfeição do calculo
Descoberta sobre descoberta o êxtase da perfeição,
Linhas infindáveis de cabeças iguais
O frango de aviário também foi uma grande invenção
Eis a engorda, matança iniciada
Vende-se a vontade aos pedaços
Eis a mesquinhez esculpindo pedras tumulares.
Entontecidos a manada dança abraçada ao carniceiro
Eis aqueles cem ou mil, ou um milhão
Mais fáceis de domesticar do que um gato
Andar de joelhos reverter o corpo, pesa tanto o corpo inteiro a dignidade inteira.
Eis a mesquinhez esculpindo pedras tumulares.
Toda a realidade em gemidos e matanças.
As mãos convertidas. Aplaudem o pesadelo convertido.
Tributo a Orlando Gouveia
UM PASSO DO ABISMO Á LIBERDADE |
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